O passado que reconhece seu lugar, está sempre presente.

Imagina que sua vida é uma viagem (de fato, o é!). Você está lá, dentro do seu carro, dirigindo.

Em algumas partes do caminho você passa por experiências maravilhosas, paisagens marcantes e caminhos especiais. É absolutamente lindo.

Mas, você está olhando para frente e percebe que está prestes a passar por um caminho diferente – talvez, não tão bonito. Você decide diminuir a velocidade. Resiste. Você pensa sobre o quão injusta a vida é em te tirar esse momento. Você não gosta do que experiencia.

Logo depois, o pneu do carro fura, a estrada te assusta, você está sozinho, sua água acabou, a luz de reserva do combustível acende.

Você é obrigado a parar.

De onde estacionou, se você olhar para trás, visualiza o caminho percorrido e, ele ainda te seduz. Mas você não pode voltar. Por outro lado, você consegue visualizar o próximo pedaço do caminho. Ele, a princípio, não te agrada. Mas existe.

Você precisa decidir o que fazer. E isso não é fácil. 
Você tem todas as ferramentas para trocar o pneu e sabe que, com ele, pode percorrer um bom caminho. Você lembra que tem uma garrafa de água na sua caixinha térmica, até então esquecida atrás do banco. Você faz as contas, e a gasolina que você tem alcança até o próximo posto – e lá, tem outra paisagem.

Quanto trabalho! É, você precisa colocar as mãos em obras. Tempo, energia. Você, talvez, nunca tenha trocado um pneu – o que torna a experiência ainda mais trabalhosa.

Por mais difícil que seja, você, sabiamente, decide dispor de suas ferramentas, colocar as coisas em ordem e seguir seu caminho. É quando você reconhece que o passado tem um lugar e, certamente, não é no seu presente.

Se for olhar para trás, use o retrovisor para te ajudar a percorrer o caminho presente. Jamais para anula-lo.

Jessica Locatelli- Possui graduação em Psicologia (CRP 12/16682) pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo COGNITIVO – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no Rio Grande do Sul.

 

O problema é querermos determinar como as pessoas tem de ser, para depois amá-las.

Idealizar, sonhar e desejar é importante e natural do ser humano. O problema começa quando esse conjunto se torna excessivo e incompatível com a realidade. Assim, passo a amar e admirar o que criei – e depositei, e não o outro. Sofrimento, frustrações, desentendimentos e desgaste nas relações podem indicar uma vivência baseada em expectativas distorcidas do que o outro é. Conhecer verdadeiramente o parceiro é um exercício, pois nos distancia do que é confortável para nós, nos aproxima da realidade e requer adaptação e aceitação, mas nos proporciona relações saudáveis e, principalmente, baseadas na realidade – e não em fantasias. Quando acolho algo que é diferente de mim ou do que eu penso, isso pode me acrescentar e, então, eu cresço. E então, vai começar a amar o outro ou continuar a buscar alguém em quem depositar suas fantasias?

Jéssica Locatelli-Possui graduação em Psicologia (CRP 12/16682) pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo COGNITIVO – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no Rio Grande do Sul.

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?

 

O medo é uma emoção básica importantíssima para a preservação da vida, uma vez que sua função é nos proteger do perigo, pois produz respostas que visam aumentar a probabilidade de sobrevivência numa situação avaliada como perigosa. Essas reações são luta, fuga, congelamento e desfalecimento. Por exemplo, vamos imaginar que nos deparamos com um animal perigoso. Se nosso cérebro interpretar que podemos enfrentar o animal, nosso corpo se organiza para enfrentar ou intimidar o animal. Porém, se o animal parecer muito grande ou perigoso para nossos recursos, a resposta que se organiza é de fuga. Se não houver possibilidade de fuga, uma resposta possível é a de paralisia, de congelamento, como uma estratégia de tentar passar despercebido. Caso o ataque seja avaliado como iminente pode surgir uma resposta de desfalecimento para tentar pacificar o inimigo ou de desmaio para nos proteger de sentir a dor do ataque.
Assim, compreendemos que o medo é uma emoção inerente ao ser humano, com funções evolutivas importantes para a perpetuação da espécie.
Mas… e quando sentimos medo desproporcional e persistente por algo que não representa um perigo real?
A isso chamamos de FOBIA ESPECÍFICA, comumente tida por um ou mais objetos ou situações (p. ex. voar, animais, agulhas, elevadores, fantasias, tempestades). A fobia específica, além de ser desproporcional em relação ao perigo real imposto e provocar uma resposta imediata de medo e ansiedade, também é ativamente evitada ou suportada com intenso sofrimento, e causa prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Dentre os sintomas cognitivos, está a preocupação, expectativa apreensiva, dificuldade de raciocínio e pensamentos catastróficos, hipergeneralistas e dicotômicos. Os sintomas comportamentais se caracterizam por fuga e esquiva, além de agitação, hipervigilância e dificuldade para falar. Já os sintomas fisiológicos são tensão muscular, taquicardia, sudorese, sensação de sufocamento, tontura, fraqueza, e boca seca.
O quadro clínico mostra, claramente, uma queda significativa da qualidade de vida. Se você se identificou com os sintomas, busque ajuda. Lembre-se, a grande maioria das coisas que nos causam medo são perigos autocriados que existem quase inteiramente em nossa própria imaginação.

APA. Associação Psiquiátrica Americana. Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM 5. Ed. 5. Washington, Associação Psiquiátrica Americana, 2014.
KNAPP, P. Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica. São Paulo: Artmed, 2004.
DARWIN, C. The Expression of the Emotions in Man and Animals. Reino Unido: John Murray, 1872.

Jéssica Locatelli- Possui graduação em Psicologia (CRP 12/16682) pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI.

Por que a tristeza existe?

Entre as emoções negativas consideradas saudáveis está a tristeza que, mesmo sendo percebida como desagradável e relacionada a sofrimento e vários outros sentimentos considerados ruins ou indesejáveis, é uma emoção que faz parte de muitas experiências humanas construtivas, ligadas a aprendizados e até mesmo ao atingimento de objetivos evolutivos. Já entre as emoções negativas consideradas não saudáveis está a depressão, a qual não está relacionada a nenhum aprendizado evolutivo útil e, muito pelo contrário, é um sentimento destrutivo, incapacitante e que afasta a pessoa de seus objetivos.

Há três componentes principais na tristeza considerada natural. O primeiro deles sugere que a emoção esteja relacionada a uma situação específica. Já o segundo componente da tristeza é a sua intensidade razoavelmente proporcional à magnitude da situação que a provocou. Por mais difícil que seja mensurar essa intensidade, existem dois fatores importantes que contribuem para. O primeiro é cognitivo: Reações normais à perda implicam em percepções razoavelmente precisas das circunstâncias, ao invés de distorções cognitivas. O segundo fator é o emocional: A reação deve ser de intensidade emotiva e sintomática razoavelmente proporcional à gravidade das circunstâncias. O terceiro e último componente da tristeza é que ela diminui quando o contexto muda para melhor, ou quando o indivíduo se adapta à ele. Algumas situações, como a morte de um ente querido são irreversíveis e a duração da tristeza depois dessas perdas, embora muito variável, diminui com o passar do tempo.

A natureza transitória da maioria das reações de tristeza permite um olhar reflexivo sobre o passado, no qual há a resignação acerca do acontecimento que a causou. Assim, permite que o indivíduo se reoriente, concentrando e reavaliando-se em relação ao que aconteceu em sua vida. Em contrapartida, a depressão, ao invés de ser específica ao contexto e com duração limitada, tende a ser crônica, recorrente e desproporcional as circunstâncias sofridas.

Horwitz, A. V.; Wakefield, J. C. A tristeza perdida. São Paulo: Summus Editorial, 2010.

Maj, M.; Sartorius, N. Transtornos Depressivos. Porto Alegre: Artmed, ed. 2, 2005.

Jéssica Locatelli- Psicóloga- Pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo COGNITIVO – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no Rio Grande do Sul.

 

 

Lidando com a INCERTEZA.

A preocupação ocupa tempo de todas as pessoas, e preocupar-se significa ocupar-se com alguma coisa antes que ela aconteça. Em geral, a preocupação deriva da nossa incapacidade de controlar o futuro totalmente ou de conviver com as incertezas. Quando não conseguimos lidar com nossas incertezas ou inseguranças naturais da vida a preocupação pode atingir altos níveis, trazendo sofrimento e queda na qualidade de vida. Entretanto, algumas preocupações são úteis e importantes e, portanto, são chamadas de preocupações produtivas, pois ajudam as pessoas a resolverem seus problemas, e dizem respeito a um problema real e que pode ser enfrentado com alguns comportamentos. Por outro lado, temos a preocupação improdutiva, que desencadeia uma porção de perguntas sem respostas (“Por que a vida é assim? Por que isso foi acontecer comigo?”). Esses pensamentos, normalmente, não nos levam a nenhum comportamento a fim de resolver um problema, além de produzir uma ansiedade intensa. Já a preocupação produtiva pode ser identificada a partir de algumas perguntas como, por exemplo, “é razoável essa preocupação?”, “é sobre algo que eu posso controlar?”, “isto me ajuda a encontrar uma solução concreta?”. Se a resposta for sim, ela ativa estratégias de resolução de problemas e, por isso, se trata de uma preocupação que nos leva a algum lugar.

Nesse sentido, a TCC auxilia as pessoas a diferenciarem as preocupações produtivas das improdutivas, bem como distinguir o controlável do incontrolável, a lidar melhor com a preocupação improdutiva quando ela surgir, e transformar a preocupação produtiva em comportamentos que ajudem a resolver problemas. Isso irá gerar um predomínio de preocupações reais e eficazes, diminuindo os níveis de ansiedade do qual ela provoca e aumento da qualidade de vida.

CLARK, D. A., BECK, A. T. Vencendo a ansiedade e a preocupação com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2012.

DUGAS, M. J., ROBINCHAUD, M. Tratamento cognitivo-comportamental para o Transtorno de Ansiedade Generalizada. Rio de Janeiro: Editora Cognitiva, 2009.

LEAHY, R. L. Livre de ansiedade. Porto Alegre: Artmed, 2011.

 

Jéssica Locatelli – Psicologa graduada pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo COGNITIVO – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, no Rio Grande do Sul.